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A utilização
do vidro como suporte para exprimir um
sentido para a vida teve o seu inicio e
expoente máximo, na idade Média, tendo
evoluído por todo o período, como forma
superior de fervor religioso e interpretação
das alegorias da Bíblia, numa tentativa de
explicar os Evangelhos aos crentes e aos
infiéis.
Sendo uma
expressão plástica muito característica
do Cristianismo, ela ganhou força e consistência
com a representação das diversas cenas Bíblicas,
existindo uma profusão de obras expostas em
numerosas Igrejas e Catedrais, um pouco por
toda a Europa.
Da simples
rosácea, esotérica e simbólica até á
expressão figurativa, um longo caminho foi
percorrido, havendo contudo uma uniformidade
de conceito religioso e plástico comum: a
transparência, o jogo, a luz, o espiritual
emanativo e o puzzle da sua construção.
O vitral
religioso continua hoje a assumir-se
como Arte Maior, com força e impacto,
mantendo intactos os princípios e as refulgências
que lhe deram notoriedade.
O vitral
decorativo é a transposição do
conceito intrínseco do vitral religioso
para a decoração estética dos espaços.
Todo o conceito material espiritual é idêntico,
apenas a forma de apresentação da paleta
de cores é actualizada de acordo com
correntes estéticas e conceitos de arte
modernos.
O vitral decorativo pode ser abstracto, simbólico,
figurativo, impressionista, naif ou de
qualquer outra corrente ou escola de belas
artes.
Utiliza-se
na decoração de espaços profanos - habitações,
escritórios, etc. - e tem como função
primordial uma atitude decorativa, embora
sem perder o caractere emocional e
espiritual de emprestar aos locais onde é
aplicado uma ambiencia muito particular e
original.
A fusão
do vidro reclama para si a utilização
do fogo e do calor como sua principal
característica.
Sendo uma componente também aplicada no
vitral ela é autónoma pela expressão plástica
que assume na escultura em vidro.
Fundir significa misturar, interpenetrar e
aprisionar cores, formas e conceitos.
Pela fusão nascem peças que adquirem
identidade autónoma e individual, sem o
recurso á construção dos diversos
componentes para que exista uma unidade.
A fusão do vidro permite a criação da
escultura em diversas dimensões e a
reciclagem da luz por diferentes prismas,
originando caleidoscópios que se podem
mover, ampliando os espaços da sua influência.
A fusão do vidro é uma técnica, mas também
é uma arte e uma ciência.
A pintura
sobre tela, cartão, vidro ou outro suporte
qualquer é uma das mais antigas manifestações
de arte e da necessidade do Homem expressar
os seus sentimentos.
Paulo
Nogueira, vitralista, é também Ataíde,
pintor.
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